Las multinacionales "solidarias" del Comercio Justo
Miércoles, 13 de Enero de 2010 13:06

Desde Portugal, la cooperativa Mó de Vida reacciona ante el reportaje difundido por la cadena SIC "El sabor amargo del té" el día 2 de Diciembre de 2009. Dicho reportaje aborda las condiciones muy precarias que padecen las/os trabajadoras/es del té en Kenia, Bangladesh y Sri Lanka y presentan el comercio justo como una mera historia de certificación bajo el paraguas de FLO.
Para quem não viu a reportagem entitulada pela SIC “O sabor amargo do chá”, no dia 2 de Dezembro de 2009, sugerimos o acesso ao link, de forma a tirarem as vossas próprias conclusões:
A mesma refere a pesquisa realizada por uma equipa de investigadores da Dinamarca no Quénia, Sri Lanka e Bangladesh, principais países produtores de chá, em que o trabalho sazonal, a sobrecarga horária superior às 10 horas, a ausência de contratos para a maioria dos/as trabalhadores/as, o pagamento irrisório e a consequente utilização da mão-de-obra infantil pelos próprios familiares, de forma a obter mais algum ganho, aliam-se à inexistência de assistência médica e à total submissão às grandes corporações transnacionais, que domiam totalmente os meios de produção.
A aparente surpresa está no facto de que, a este cenário de exploração, está associado o “comércio justo”. Muito embora a reportagem seja pouco clara e redutora, não se podem negar factos para os quais temos vindo a chamar a atenção e a denunciar há alguns anos: faz sentido que as multinacionais tenham produtos certificados do Comércio Justo? Que vantagens podem ter estas corporações, que se regem pela maximização dos lucros, a concentração financeira, o domínio de toda a cadeia - da produção à comercialização – e da subalternização do trabalho, associando os princípios do Comércio Justo aos produtos por estas comercializados? Que benefícios podem ter os produtores a curto prazo e que desvantagens podem existir a médio e longo prazo? Que tipo de exercício de cidadania tem um/a consumidor/a, que ao adquirir um produto do alegado “comércio justo” considera a sua missão cumprida, reduzindo a sua responsabilidade a um selo de garantia num produto?
O exemplo apontado no documentário é o da marca holandesa “Max Havellar” de certificação, cujo objectivo é garantir aos consumidores que os produtos salvaguardam as condições dignas de trabalho, para além da dinamização de projectos comunitários em que os produtores sejam autónomos, promovam a equidade e justiça social, como defende o Comércio Justo. Nesta caso, a certificação aparece nos chás da transnacional Lipton, cuja principal distribuidora é a Finlay Tea. Mas este não é único, pois transnacionais como a Starbucks, a Chiquita e a Nestlé, entre outras, têm produtos certificados de “comércio justo”.
Que fique claro que o Comércio Justo enquanto movimento social – e não como uma certificação, como aponta a reportagem – tem diferentes opiniões sobre o envolvimento das multinacionais capitalistas, enquanto possíveis entidades “parceiras”. Nós entendemos que de forma alguma podem ser consideradas como tal!
Tampouco podemos exigir que os produtores cumpram uma série de critérios sociais e ambientais e estes não serem observados no restante da cadeia por quem distribui e comercializa. Isto é o que se passa quando a grande distribuição comercializa artigos do “comércio justo”. Como poderão os produtos do “comércio justo” estarem à venda em espaços que existem precisamente à custa dos apelos ao consumo compulsivo, acrítico e por isso mesmo insustentável do ponto de vista social e ambiental. Que maximizam os seus lucros com base na exploração do trabalho precário, dos pequenos produtores e na criação da ilusão da oferta de diversidade.
Um comércio justo somente será possível com o trabalho conjunto de organizações de agricultores familiares, de consumidores-cidadãos, ecologistas e outros movimentos sociais que apostem noutro modelo de agricultura, de comércio e de consumo a serviço dos povos e do meio ambiente, nos países do Sul mas também do Norte geopolítico.
Nunca por transnacionais do agronegócio, que priorizam a exportação e reduzem a alimentação a uma mercadoria, excluindo a maior parte da população mundial deste direito fundamental.
Nunca por governos que subordinam as suas políticas agrícolas e económicas às imposições neoliberais da WTO (OMC em português), ao FMI e Banco Mundial.
Que o comércio justo seja problematizado por todo/as nós, cidadãos e cidadãs envolvidos/as ou não no movimento. Sem crenças cegas e sem receios de apostar no novo!
Mó de Vida Coop
www.modevida.com
Membro da Rede Espaço por um Comércio Justo
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